A gente por aqui!?

 – Nossa, hein! E essa vida que você anda levando? Maior monotonia!

– Pfff… é, você não acha que está gastando muitas energias? Tarde demais pra gente… Aliás, pra mim!

– Sua mole! Que horror nos ver assim. Aliás, ver VOCÊ assim. Eu não sou assim.

– Mas vai ficar… São só cinco anos até isso acontecer.

– Não vou deixar. Jamais vou parar de curtir, sair todos os dias com as meninas…

– É. Eu sei que eu PENSAVA assim. Mas deixa estar. Cinco anos, só cinco anos.

– Para! O que pode ficar pior do que agora! EU trabalho, estudo, faço esporte, vou à balada, tenho uma vida ativa! Estou decepcionada com o que você fez da gente.

– Sinto muito. Talvez isso lhe decepcione agora, mas em cinco anos…

– “Cinco anos” pra cá, “cinco anos” pra lá… além de tudo, eu vou ficar chata assim?

– O nome disso não é chatice, é maturidade.

– Eu já sou madura! Olha pra mim! Eu não faço nada errado e…

– Mas também não faz nada certo. E fala demais.

– Pf… ok. Não vou falar mais nada. Que pessoa desinteressante você se tornou.

– Ah é? Então você acha que esse ‘monte de coisa’ que você faz e essas loucuras que está vivendo vão lhe transformar em uma pessoa ‘de-sin-te-res-san-te’.

– Hm… Não foi isso que eu quis dizer. Quis dizer que parece que você desistiu. De onde veio essa calma toda?

– Da pressa toda que VOCÊ tem.

– Para de me culpar!

– Você quem começou. E além do mais, eu não posso mais mudar nada em você.

– E nem eu posso mudar você.

– Pode sim, por isso sou assim.

– Já disse! Para de me culpar.

– Não é sua CULPA. Para de achar que eu to lhe culpando! Só estou dizendo que não dá mais para mudar. Isso não é bom nem ruim. É isso e acabou.

– Quer dizer que então é isso. A diversão acaba aqui? E o Juracy? Que fim VOCÊ deu pra ele? Porque pelo que eu vejo, continua solteira e escolhendo homem com nome feio!

– Nome feio… é só o que o Juracy tem de feio também, né? Não dei fim nenhum nele. Ele que deu fim na gente. Aliás, em você.

– Ah, e porquê?

– Por que você acha?

– Hm… não sei.

– Não vou estragar a surpresa.

– Tá. Mas e aí, parou de pegar cara com nome feio?

– Não. Foi uma fase. Acho que agora ela acabou.

– Ahhh! A-le-lui-a!

– Hahaha… Você sabe que não era como se a gente escolhesse a dedo…

– Sim, sim… E o próximo?

– O próximo… Se fosse mudar algo, diria que teria dado mais atenção ao próximo. Bem… acho que não… Foi por uma boa causa.

– Ahhhh, então ele era dos bons? Prá casar?

– Não. Apenas era ‘menos pior’ que os da sua época.

– Ai, ai… que medo de chegar nessa sua monotonia.

– Relaxa. Você já vai ter queimado muita gasolina antes de chegar na ‘minha monotonia’. Vão ser cinco anos divertidíssimos.

– E agora? Qual a próxima pra você!? Vai, põe pimenta nessa vida, mulher!

– Sossega. Você vai entender. Eu estou bem assim. E você também estará. A vida é divertida, só mudaram as diversões.

– IMPOSSÍVEL!

– Possível. Mas continue aí. Você vai precisar de toda essa energia mesmo até chegar ao agora.

– Pelo menos isso. Agora chega desse papo chato. Vou ao bar. O pessoal já está lá!! … Ah! Ultima coisa… Foi mal, ganhei uns quilinhos… Esse trabalho tá me matando!!!

– Eu sei… Relaxa. Não é com a balança que você vai precisar fazer as pazes. É com você mesma.

– Pipipi… Tá parecendo a mamãe.

– É… vai lá pro bar, vai. Minha época de babá já passou.

– BABÁ? Cê deve estar de brincadeira que você resolveu fazer a gente virar BABÁ.

– Não.

– Afff… já vi que vai ser bem divertido mesmo.

– Vai. Vai por mim. AGORA VAI EMBORA, MENINA!

– VAI EMBORA VOCÊ, sua VELHA!

– Velha é ela ali, a que tá chegando…

– Meu, pera… É a gente! Olha a pinta no ombro!

– MEU DEUS. Danou-se.

– Eu vou é pro bar.

– Eu vou é dar uma corridinha.

– Ela corre ainda…

– É. Pela saúde.

– Tá, vou lá estragar a saúde um pouco.

– Tchau.

– Tchau.

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