Here’s to Spain

(Texto que achei perdido e não publicado. É, devia ter postado antes, o timing não é o forte dele. Tá valendo.)

Após um ano e meio vivendo na França, um gosto gigante por tudo que envolvia a francofonia e uma sensação de (quase) estabilidade, fiz as malas e parti para Espanha. Todos me diziam que seria mais fácil.  A língua, a cultura, a comida… tudo tão mais parecido com o Brasil. Só que eu vim para o País Basco, um caso a parte na cultura espanhola.

Confesso, foi difícil. Os costumes, os horários, os cheiros. Nada batia com o que eu estava acostumada. Sair às 16h num dia de semana e se deparar com tudo fechado te faz pensar que você esqueceu ser feriado. O mesmo é sair às 21h ou às 23h e ter um monte de comércios abertos e crianças acordadas.

A língua não é tão delicada quanto o tal francês que tanto custa aprender. Condicionais e marcos de respeito são praticamente inexistentes. Eu uso. E fica na cara que eu não sou daqui. Ir à padaria e dizer “Quero um pão”, assim, sem “por favor”, sem “Gostaria”… é uma das poucas coisas que não me acostumei.

Depois desse tempo todo, eu já não sei acordar antes das 9h, fazer mercado antes das 18h, jantar antes das 21h. Eu esqueci o que é anoitecer antes das 17h ou entrar em um bar que não cheire como presunto ibérico. Eu não sei mais o que é voltar pra casa antes das 4h no fim de semana ou uma semana inteira sem chuva. Depois desse tempo todo, eu já não sinto mais o cheiro de mar do rio de Bilbao. No entanto, não tem um dia que não me surpreenda com a mudança na sua cor.

O ‘con leche’ e a preguiça de sorrir dos Bascos já faz parte do meu dia-a-dia.

Bilbao me deu a montanha e a praia. O azul e o verde. A França e a Espanha. Eu só posso retribuir de uma forma; deixando uma parte do meu coração aqui. 

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