Por aquele verão que começou em Roma

Na famigerada infância dos anos 90, nós queríamos ser a Xuxa só para descer da nave espacial e deixar beijinhos de batom cor-de-rosa por aí. Queríamos ser a Angélica para ter uma pinta especial na perna. Até a Mara a gente curtia… e por que era mesmo? Depois crescemos, mudamos os gostos – graças a Deus – começamos a curtir as boas e velhas (mais que nunca) boys bands. Cantávamos em um inglês mais ou menos, mas foram tais canções que nos fizeram estudar a língua do Howie D e do Brian.

E todo esse tempo, eu era ainda mais fã de outra pessoa. Essa, menos conhecida, menos aclamada, que desafina(va) no chuveiro, que não dançava tão bem quando a Posh Spice… Essa pessoa era a minha magrinha e baixinha irmã. Éramos e somos opostos em muitas coisas. Podíamos e podemos até dizer que temos mais coisas distintas que parecidas entre nós. Nem por isso, eu passei um dia sem secretamente apreciá-la. Até quando a gente brigava e ela tinha um argumento melhor que o meu. Até quando ela insistia que eu tinha de arrumar meu armário e me livrar daquele pijama que eu tanto gostava – mas que estava inteiro rasgado. Até hoje, quando nossos caminhos insistem em tomar direções tão opostas.

Foi ela que aturou por anos meus pesadelos, foi ela que me ensinou a lidar com minha insegurança. É ela que me atende de madrugada até hoje e me diz o que eu preciso – mesmo que não queira – ouvir.

Ela é a irmã que você queria ter.

             Por aquele verão que começou em Roma.

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