Sobre como Bilbao me mimou (ou Sobre como eu sinto falta da França)

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É verdade, os bares de Bilbao são sujos, as pessoas geralmente não são super amigáveis, não há um cinema que não coloque apenas filmes dublados na programação, as festas são tomadas por gente que nem completou a segunda década de vida, chove muito, venta muito… Mas é quando eu saio da pequeña Bilbo eu percebo que passei a ver a vida ‘lá fora’ de outra maneira.

Sempre achei uma frescura sem tamanho escutar turistas, tanto brasileiros quanto de qualquer lugar do mundo, dizer horrores de Paris; suja, perigosa, com pessoas ‘mal encaradas’, cara e excessivamente lotada. Eu ainda continuo achando que seja um exagero (talvez não a parte do lotada…), mas ao chegar aqui ontem meus olhos finalmente conseguiram superar a paixão incondicional pela França e enxergar com mais nitidez todas essas características negativas da capital ‘mais romântica do mundo’.

Mas isso é culpa de Bilbao. E é por isso que estou escrevendo esse texto. Nos dias de bom humor da cidade, o sol que bate no Rio Nervion e reluz no Guggenheim nos força a se beliscar para ter certeza que não está sonhando. É uma cidade inteligente, sustentável, fofa. Ao menor raio de luz e pouca chance de chuva, as famílias tomam as ruas para tomar Txakoli com os cachorros e crianças, os com mais energia colocam o tênis ou desamarram a bicicleta no cair da tarde. E tudo é limpo, e seguro e com pessoas normais, (relativamente) barata e tranquila. Bilbao me dá a praia e a montanha, a Espanha e o País Vasco, o pintxo com mil calorias e a alternativa veggie.

Tudo isso pra dizer que não é Paris que é suja. Paris é gigante e com um fluxo gigante de pessoas. E quem tá mesmo olhando para o chão enquanto vale muito mais apena olhar pra cima? Quem está ouvindo o barulho ao redor enquanto se fala francês com aquele sotaque que só o parisiense tem?

A culpa é de Bilbao. Bilbao que me mimou com seu status de semi-perfeita, em sua pequenez enorme e em seu metrô vazio e limpo.

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