Era Bossa Nova…

 A Bossa Nova e a caneca quente de chá entre mãos ajudavam a clarear as visões daquela noite desmemoriada. Revivia detalhes, olhares, queria entender, se ver. Ao colocar o chá de volta sobre a mesa, se achava tão clichê. Desnecessariamente ordinária. Olhos castanhos. Tão normais, tão adoráveis. Mãos. Claro, chovia… Queria ouvir uma voz que não fosse a sua. Uma música que não fosse a sua. Ah, adorável língua, cúmplice. Sua favorita. Sua menos preferida. Tatuaria na memória sua falta de memória. Se culparia para sempre. Até que a memória esquecesse. Ou se preocupasse com algo diferente. Mas não agora. Agora queria só sentir sua falta. Sua e a sua também.

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