O dia.

A manhã preguiçosa entre as cobertas passou rápido e a tarde cinza já começava a aparecer no canto da janela em que a cortina teimava em não cobrir. Quando saiu de casa, já era tarde. Tudo estava fechado e as ruas cheiravam insuportavelmente a domingo. As pessoas andavam como domingo. Compravam flores como domingo. Bebiam café nos terraços como aos domingos. Tudo parecia desacelerar. Começou a andar na direção contrária dos demais dias. Naquele silêncio barulhento do domingo, ouviu uma gargalhada familiar. Frente a frente ao rosto familiar, só guardou o sorriso que ficou no fim da gargalhada. Pode ser que também tenha guardado o sentimento envergonhado de bochechas avermelhadas. Ou o cadarço desamarrado quando buscava focar o olhar em outro lugar. Mas era domingo. Nada acontece por acaso aos domingos. Era então hora de levantar. A realidade do domingo é cinza. Cinza como aquele domingo em que a gargalhada só se ouvia no sofá vazio. A água ferveu. Sofá e chá. Só para ouvir a incansável gargalhada se cansar.

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