Portugal – Parte 1

Ah, o Sol ainda brilha...

Resolvi fazer de minha viagem ao Portugal uma trip gourmant.

Mas não foi fácil começá-la. Ao sair do meu super ap em Reims e ir até o ponto de ônibus pensei: “Finalmente vou para o Portugal, um dos países que me falta por a bandeirinha brasileira! Ueba!”

Cheguei ao ponto e o ônibus estava atrasado. Ainda bem. Sabe quando te dá aquela sensação de “Estou esquecendo alguma coisa”? Bem, eu estava, não era só uma sensação. E eu estava esquecendo algo MUITO importante: a passagem!

Voltei em polvorosa, peguei o bilhete e parti de volta ao ponto – que, felizmente, fica a um quarteirão de casa.

Todos que estavam antes de eu voltar para casa, continuavam no ponto – o ônibus ainda não tinha chegado.

20 minutos depois… NADA!

Pensei: “Se eu ficar esperando, vou perder o trem” e me pus a andar até a estação. Cheguei a tempo e me mandei pra Paris. Cheguei à cidade das luzes com fome e parei na mesma lanchonete de sempre ao lado da Gare de l’est para comprar meu jantar.

Até aí, pensam vocês, nada de extraordinário. Isso seria verdade se um “Sem domicílio fixo” – como ‘tucaneiam’ o mendigo na França – não estivesse na frente da lanchonete colocando a prova todo o vocabulário baixo da língua. Não me perguntem o porquê, mas ele xingava os funcionários da lanchonete com todas as palavras que eu aprendi como ‘proibidas’! Haha…

Ok. Depois do susto, parti pro hostel. Um hostel que eu nunca tinha ficado, ao lado do Louvre. Super bem localizado, mas não sei se achei bom… Enfim, foi barato. (bvj.fr)

Quem já viajou de Ryanair sabe o sufoco que é. É barato. Mas, experimente passar dos 10kg permitidos… Paga-se mais caro em bagagem extra que na passagem…

Esse não é o único problema para quem sai de Paris. O aeroporto que embarca Ryanair NÃO FICA EM PARIS! Fica em Beauvais, que não é nem mais em Ile-de-France. É na Picardie, e precisa de uma hora e meia – em ônibus também da Ryanair – para chegar. Se você perder o ônibus, pode ir de trem, mas provavelmente não vai conseguir se adaptar ao horários do vôo.

Parece que tudo é feito para complicar sua vida e dar mais dinheiro para a cia LOW COST. Ok, ok…

Cada vôo tem um ônibus programado 3h antes do horário do embarque. Meu ônibus saia às 7h.

Quem não me conhece que me compre. Eu ACORDEI as 6h53. Claro que eu perdi o ônibus. Aliás, a única coisa que eu tive tempo de fazer foi colocar meu tênis e meu casaco e sair em polvorosa do hostel que fica próximo a linha 1 do metrô, a mesma que os passageiros Ryainair devem pegar para vir à Beauvais.

Cheguei 7h20 no ponto de encontro e consegui pegar o ônibus do vôo seguinte, que saía às 7h35. Tranquilo, não perdi o vôo (Aliás, escrevo isso aqui no portão de embarque do aeroporto de Beauvais, já que, mesmo com a correria, o vôo está atrasado. São 09h53 e o avião acabou de chegar ao portão…).

Para me despedir – brevemente – da França, apostei num p’tit dej’ típico: Pain au chocolat et un expresso. Leitura a bordo? Um livre de poche em francês que devo ler para escola. Folga da língua ‘la plus mechante du monde’ (a da língua mais chata do mundo)? Pas tout de suite (Ainda não).

Warming up...

Portugal

Que aeroporto lindo este do Porto. Chegar lá foi me sentir um pouco perto de casa. Todo mundo com cara de paulistano e falando com o sotaque de boa parte dos nossos avôs e bisavôs…

No tramway do aeroporto até a cidade eu me senti ainda mais perto de casa: roupas penduradas no VARAL FORA DA CASA! Aproveitando o sol que fazia na cidade. (Não colado na calefação ou encolhido na máquina de secar).

O sol que fazia me deu a inspiração necessária para largar tudo no hotel e começar a bater pernas. O caminho da estação de metrô (aliás, que metrô! Limpo, eficiente…) me fez lembrar um pouco do centro de São Paulo. Sem mendigos. Bonito de se ver e motivante para o dia que completei sete meses na gringa.

1ª Refeição

Cheguei num pequeno restaurante próximo ao hotel e comecei a passar os olhos pelo curto cardápio que o ‘moço’ tinha me dado depois de me receber com um bom-dia ocupado. Todos que entravam o tratavam pelo seu nome (Fábio) e perguntavam pelo seu pai, que estava cozinhando aos fundos.

As sugestões de sopa pareciam normais de mais. Queria ousar, queria inaugurar os sabores portugueses.  O problema foi que eu errei quando fui perguntar o que eram as tais das ‘Papas de Sarrabulho’.  Ao invés do Fábio me contar o que era, ele trouxe pra eu experimentar. A primeira referência que me veio em mente foi o gosto de feijoada com a textura de um pirão.

Honestamente? Eu não gostei. Mas o menino me trouxe com tanta felicidade em me apresentar tal ‘iguaria’ da culinária portuguesa que fiquei sem jeito de fazer cara de nojo.  Resumindo, vai porco – e toda a gordura que possui tal animal – galinha e muito tempero.

Tudo bem. Para adocicar, foi a vez de uma boa torta de amêndoas e um cafezinho, claro.

A lenda!

Missão

A minha verdadeira missão era encontrar duas coisas: bolinhos de bacalhau e pasteis de nata. Os pasteis de nata foram moleza. Já os bolinhos… tudo o que os restaurantes pareciam ter eram o bacalhau em postas e as tais das francesinhas – que eu não ousei experimentar…

Depois de bater perna o dia todo no belo sol que fazia na cidade do Porto, eu fiz uma pausa para o pastel de nata. Numa padoca. Numa daquelas padocas de bairro. Parede de azulejo, balcão de inox e vitrininha. Café? Média, pingado… Tô em São Paulo!

Falha técnica, produção…

À noite eu fui lá à famosa praça do bar do Piolho. Como lá só tinha a tal da Francesinha, eu fui buscar meu bacalhau do outro lado da praça Parada Leitão. Acabei parando no restaurante do seu José Caldeiras. Para bem me recepcionar, ele trouxe uma porção de azeitonas pretas e verdes cobertas com azeite e alho. Em outro prato, um pequeno copinho de azeite e alho, um pedaço de queijo meia-cura derretido e uma espécie de patê de queijo parmesão. Para acompanhar, uma cestinha de pães fresquinhos e o vinho da casa. Tudo feito ‘em casa’, segundo seu José.

Só seria melhor – e ilustrado – se eu não tivesse passado o dia todo a tirar fotos e ficado sem bateria para fotografar a entrada e a seqüência: o bacalhau na lapreia, com muita cebola e azeite.

Saí de lá meio cambaleando. Talvez pelo vinho português – que nada tem a ver com o francês – ou talvez pela quantidade de alho que eu ingeri no restaurante do seu Zé. De lá, fui terminar meu sábado no Porto no teatro e curei a ‘ressaca’ alimentícia voltando pro hotel. Preparem as pernas se vierem para o Porto!

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