365 dias depois

Prefácio

E se tiver coisas que só fazem sentido quando eles perdem completamente o sentido? E como saber o tempo certo para fazer valer a pena? O medo do antes, o medo do durante e o medo depois. São eles os monstros que nos tiram o sono na madrugada, que se escondem no armário, embaixo da cama… e finalmente, eles estão só na nossa cabeça. Mas, quando se é grande, pra quem gritar de medo do meio da noite? Quando se é grande, qual a desculpa pra deixar uma pequena luz acesa na tomada? Pra quem pedir uma história e um chocolate quente?

Bem-vindo 2011! 😀

02/janeiro/2011

Há um ano, em Praga. Hoje, em Paris. Cidades que tem mais que apenas o P como inicial em comum. As duas são procuradas por amantes e por aqueles que buscam encontrar um amor. Há um ano, em Praga, eu gastava minhas fichas em sonhos. Hoje, em Paris, gasto em uma realidade verossímil.

Em Praga, eu me encantava e me apaixonava pelas esquinas. Lá, fiz amizades, reforcei outras, fiz a festa e depois trabalhei com paixão. Aqui, reforcei mais que nunca uma amizade, ainda assim fiz outras, também fiz a festa, mas não mantive a paixão.

2010 foi um ano em que me joguei de cabeça, fui atrás de sonhos, tentei procurar minha independência e vi o quão pequena eu ainda sou. A ansiedade me motivou, me fez mexer, mas não me fez pensar. Agi precipitadamente, mas não me causou arrependimentos. No último ano fui forçada a amadurecer pelas minhas próprias escolhas. Fui obrigada a me suportar mais.

Para 2011 não fiz promessas, não fiz mandinga, não criei expectativas. Quero apenas me deixar respirar de mim mesma, quero me desafogar, me acalmar. Quero colher as sementes boas que plantei durante os últimos doze meses e quero ser grande para agir quando as sementes não tão boas resolverem brotar. Só isso.

Macarons

Na virada de 2010 para 2011, eu vi o Arco do Triunfo iluminado. Eu corri pelas ruas do 8eme atrás de uma garrafa de champagne, eu disse ‘bonne année’ a todos que passaram por mim. Eu ri. Eu chorei. Chorei porque não estava sozinha; tinha comigo alguém que tem a mesma paixão por macarons e a mesma necessidade de café.

Fuck you – very, very much.

A versão do meu 2010 começou ouvindo no ultimo volume Lily Allen e Ana Cañas (“Procuro a solidão como o ar procura o chão”). Ontem o que eu ouvi no último volume foi: “I had the time of my life”. Excusez-moi, vou ali ter o ‘time of my life’. 😀

Bonne année!

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366 dias depois…

Resolvi fazer a limpeza no meu laptop e descobri um texto impublicado do dia 2 de janeiro de 2010. Estado de espírito parecido?

02/janeiro/2010 = depois da balada….

There is no place like home. No entanto, talvez seja até possível encontrar lugares e transformá-los no lar. Talvez fique faltando alguma coisa, o essencial. Ser brasileiro é inexplicável.

Eu sou apaixonada pelo velho continente. Sou fascinada pela capacidade de convivência do novo e do velho, pelos trilhos de trem que ligam diversos países, pela coexistência de tantas línguas tão parecidas e tão diferentes, assim como as culturas. Admiro a maturidade política e econômica.

Calor. Não só o termômetro acusa altas temperaturas no país tropical. É o pescoço quente versos o pescoço inacessível. É a mão carinhosa, que sabe se fechar na hora e local certo. É o sorriso no canto da boca que ameaça deflagrar uma situação constrangedora com bom humor. É terminar as palavras com o ‘-inho’ sem soar falso ou infantil.

A indiferença desmedida e feroz versos a indiferença provocante e irritantemente deliciosa. Cruzar a linha do permitido sem deixar vestígios ou desconfortos. Elegância deselegantemente graciosa.

Sim para dizer não e não para dizer sim. Laje. Conduzir para o errado da maneira mais certa. Fascinar pela alegria e simpatia. Rir. Aceitar e fazer graça de tudo o que for possível, só para não perder o costume, só para quebrar o gelo, só para lembrar de onde veio.

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