Minha segunda eleição

Consulado do Brasil no domingo de eleição presidencial

Cai na ‘autoroute’ às 2h da manhã para ir a Paris brincar (com muita responsabilidade) de correspondente. Foi minha segunda eleição como jornalista. E eu pensei que fosse passar em branco. Fiz plantão na frente do Consulado, falei com pessoas, com outros jornalistas, entrei ao vivo de uma cabine telefônica do lado da Champs Elysee… enfim, senti um prazer em hardnews que como há tempos não sentia. E não adianta, a máxima que ‘uma vez de rádio, sempre de rádio’ é muito verdadeira.

Sentada no banquinho refletindo sobre o que eu ia escrever para mandar para rádio, saiu um textinho, escrito entre as propagandas de uma revista brasileira distribuída em Paris. Deixo ele aqui. E não, ele não é uma tentativa de discutir política, é apenas, como todos os outros posts, o MEU ponto de vista.

Hope you enjoy.

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Contra todos os clichês – menos um – a porta do consulado do Brasil na França estava ‘em clima de festa’ no domingo de eleições. Embora tranqüilo, o dia todo foi um carnaval na calçada entre uma mega mistura entre francês e português (ou brasileiro, como dizem por aqui).

Mas outra característica típica do brasileiro também estava lá. Esta não muito boa. A ‘cegueira’ sobre a política do próprio país. Votar por ‘convicção partidária’ não é bonito, é preguiça de refletir, pensar, ler e analisar. Até mesmo porque, entre PT e PSDB, é quase impossível alegar convicção, porque de tão diferentes, eles acabam sendo bem parecidos em vários aspectos (vide a troca de baixarias desta campanha). Mas mentiroso ainda aquele que fala que a convicção vem dos números publicados na imprensa européia. Ah, a imprensa européia…

Viande sechee

De toute façon, não dá nem pra falar que ‘faltou a carne seca’ nesta feijoada. Para se aproveitar do ‘mal Du pays’, ou daS saudadeS, o monsieur ‘Carne Seca’ (como ele mesmo se apresentou) passou o dia oferecendo o produto que fabrica em Toulouse. Já Claudia, há 30 – e um – anos na França, é dona de dois restaurantes brasileiros na capital e também aproveitou para fazer sua panfletagem. Festa da cachaça, samba de raiz, um pedacinho de cada um. Os santinhos de boca de urna pelo chão e as manifestações em vão com os narizes de palhaço não passaram por lá. Esses brasileiros preferiram deixar esse trabalho para os conterrâneos que habitam no país de origem. Talvez porque aqui as greves e as ‘gracinhas’ do Sar’con’zy já ocupem muito espaço. Ou talvez porque, como bons europeus, eles também ignorem esse ‘país-inho da América Latina”

Ao acaso…

Faltando pouco mais de uma hora para o fim da votação, a festa foi interrompida por policiais que vieram checar se os papeizinhos do parquimetro estava em dia. É claro, foi uma correria de brasileiro e de ‘xavecos’ para tentar evitar a multa. Não, não tente ‘molhar’ a mão de um policial francês. Pode acabar mal.

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