Uma tarde em Montmartre

Place du Tertre/Montmartre/Paris

Um fim de semana em Paris em que minhas pernas e minha cabeça ainda não pararam de doer depois de tanto trabalharem. As pernas, claro, de andar e re-andar pelas ruas de ‘tijolos amarelos’ da cidade. A cabeça, de tentar organizar pensamentos, idéias, devaneios (…) em gavetas que estavam há muito tempo fechadas.

Nada de Torre Eiffel. Corri para Montmartre pra passar uma tarde Amèlie Poulin e acabei encontrando muito mais. Meu amor declarado por esse bairro de Paris parecia estar de verdade estampado na minha cara.

Tão estampado que andando pela “Praça dos Artistas” – como conhecida pelos turistas, ou “Place Du Tertre”, como sinalizado na placa – um destes artistas me para na rua. Ele começa com o bom e velho papo de que queria fazer um retrato meu de graça. Eu quase respondi: “Escuta, eu sou brasileira, só na minha língua tem uma palavra chamada ‘malandragem’”. Insisti que não tinha dinheiro e ameacei a retomar o passo. Ele insiste, insiste… até que a seguinte frase me convence: “Eu não quero pintar pra te agradar, quero pintar porque seu rosto combina com meu trabalho”. Não pensem vocês que isso foi um elogio. Eu explico a razão.

O ‘retrato’ que ele queria fazer era na verdade uma caricatura. Ou seja, eu sou caricata. Hahaha!

Mas o mais importante da história, ou o mais memorável, não é isso. O artista fica de costas para quem passa na praça e o ‘objeto’, no caso EU, é quem fica de frente pras diversas pessoas, de diversos lugares do mundo, que passam por lá num sábado à tarde.

Chineses, indianos, franceses… Crianças, casais, solteirões (alguns até gatinhos), passavam e riam da minha cara. Opa! Não da MINHA cara, da cara que o artista pintava. Pelo menos eu espero.

Por fim, ele me chama pra ver o que tinha feito. Previsível. Uma grande boca com um sorriso e grandes bochechas… Ai, ai… Confesso que ri. Depois de rir, fiquei imediatamente sem graça, sem saber se aquilo era mesmo um presente. Ele coloca um papel manteiga em cima, dobra e me dá. Eu agradeço e pergunto quanto custa. “Mais rien. Allez, je m’en vais! Bonne soirée a Paris” (Nada, eu vou embora! Boa noite em Paris).

Ah bon? D’accord. Agradeço e começo a descer as escadas infinitas de Montmartre em busca de uma taça de vinho tinto.

Ps: Estou um pouco relutante em postar a caricatura. Hm, quem sabe outro dia…

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