Vida,

Meu amor por você hoje é platônico.

Lembro daquela viagem para comemorar a maioridade, ou daquela noite na sarjeta, quando ainda nos dávamos bem.

Hoje, você insiste em bater na minha porta aos sábados. Eu sinto não poder te deixar entrar. Eu sento do outro lado e choro.

Choro porque me lembro do calor da sua mão segurando a minha naquelas noites frias em que saíamos de moletom correr pela rua. Caçoávamos da coriza que o vento frio nos dava.

Choro pelas lembranças que não podem mais existir. Pelo menos não com tanta freqüência.

Culpo-me porque sei que o que fiz com você. E quando fizeram ‘isso’ comigo, você estava lá, me dando amparo.

Faça um favor?

Viva, Vida! Viva por mim! Tome chuva por mim. Ame por mim. Ria por mim. Chore por mim. Mas Viva, Vida!

Nos encontramos em um beco escuro, numa noite embriagada.

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