Da Flor

Todo o dia eu acordava pra fazer uma coisa só. Ver o sol.

Via o sol e queria que ele me visse. Saber da existência dele me deixava mais colorida e alegre. Muito mais. Tão alegre e vistosa que não passava um dia sem que alguém não me notasse pela calçada. Todos comentavam. “Que linda”, pra lá, “além disso, é cheirosa”, pra cá… Ah, o Sol.

Um dia, tinha acabado de tomar banho e as gotas daquela água refrescante ainda escorriam no meu rosto. Foi quando ouvi: “achei! É ela!” e senti ele arrancando meu coração pela raiz. Senti uma confusão. Estava feliz por ter sido escolhida por aquele rapaz, que carregava um lindo sorriso no rosto e me pegava com carinho nas mãos.

Até que aquele sentimento foi tornando meus dias mais escuros. Ele já não me olhava muito. As vezes, passava por mim sem nem notar. Tinha outra atração. Uma moça. Não tão colorida ou cheirosa quanto eu, mas eu sabia que tinha sido a culpada por fazer ela se apaixonar por meu moço. Ah! O Sol. Perdão, Sol! Te traí. Eu sei. Se puder me perdoar, sinto que é agora o momento, Sol. Sinto que não agüento mais a vida sem você.

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