à mariposa

Querida Mariposa,

Tire seus olhos de mim. Não adianta. Você pode até voar como a Borboleta, mas você não é a Borboleta. Você não tem cores e ninguém estende o dedo para você sentar. Você se esconde da luz, prefere a noite e não enfeita os jardins, mas sim a parede de lugares sujos e úmidos. Mariposa, aceite, eu nunca vou gostar de você.

Você nunca será capaz de me mandar flores ou de jogar uma pedra no meio da noite na minha janela para fazer uma serenata. Saia! Desgrude de mim! Sua aparência me assusta. Além do mais, devo admitir:

Sou completamente louco pela Borboleta.

Ela é linda, colorida e gosta do dia. Me visita quando quer, mas sempre me trás agrados. Vem e não fica para passar a noite. Sai de mansinho no meio da madrugada, me deixando com vontade de mais, me fazendo pensar nela em cada segundo depois que ela me deixa.

É, Mariposa. Como você vê, a vida também não é fácil para mim. Só poderia apaixonar-me pela Borboleta. Não tinha outra opção. Talvez, na próxima vida, você nasça com uma cor que combine com a minha.

Adeus,

Cravo.

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