Acordando antigos textos [2]

Aquele verão seria perfeito. Após 2 anos de namoro, Paula e Celso teriam finalmente um tempo para eles. O sol já batia forte na janela de Paula, o que a deu disposição para acordar e terminar de arrumar as malas.

Quando já estava quase tudo pronto, Paula escolheu um vestido floral para esperar por seu namorado. Terminou de passar o café. Encheu a xícara e se sentou sozinha a mesa para escrever em seu diário.

Mantinha um diário desde seus 10 anos. Outros 10 se passaram e ela ainda atualizava aquelas páginas com embalagens de bombons e fotos.

Quando a campainha tocou, foi correndo abrir a porta para Celso. Ele, ainda com cara de sono, disse que queria entrar. Prontamente, Paula lhe serviu uma xícara de café e foi apanhar suas malas.

Ao ver aquele curioso livro aberto, Celso se aproximou e começou a folhear o diário. Lá, encontrou fotos de antigos namorados e confissões apaixonadas por outros homens. O ciúme tomara conta de todo seu corpo.

Foi nessa hora que ouviu os passos dos chinelos de Paula retornando. Com os olhos molhados de angústia, encarou a namorada.

Ao perceber que o namorado acabara de se encontrar com seu amigo mais antigo, colocou um sorriso amarelo no rosto. Virou as costas, foi até a sala. Celso, ainda paralisado, tomado agora pela raiva, ouviu o barulho de embrulhos.

Ao retornar, ela tinha nas mãos um novo diário. Folhas brancas. Na capa, a foto do casal.

– Este, vamos escrever juntos.

O passado, então, seria um aliado e não mais um inimigo daquele verão.

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