Acordando antigos textos [1]

Quando João Carlos chegou à empresa, foi recebido por Valter com certa desconfiança. JC, como se apresentou aos demais, era um moço descontraído, além de trabalhar exemplarmente ainda “vestia a camisa da firma”.

Com o tempo, JC foi ganhando seu espaço, sendo convidado para almoços importantes de negócios, e por ter habilidades notórias em comunicação, fechava contratos milionários para a empresa de Valter.

– Este é meu braço direito, o nome dele é João Carlos, mas o chamamos de JC.

Em alguns meses passou à frente de diversos funcionários de anos e superou a desconfiança do chefe.

Tudo corria bem até o dia em que Mônica, recepcionista há 15 anos, bateu na porta de Seu Valter, como o chamava. Meio esbaforida e sem aguardar a permissão de Valter, entrou já aos berros e com os grampos saindo do grande coque.

– Seu Valter, por Deus, tem um carro de polícia aí na porta e dois homens armados procuram por um tal de Roberto José. Parece que eles têm um mandato de busca!

– Ah, deve ser um engano – disse o homem impaciente e um tanto perturbado por ter sido perturbado – Chame JC e peça para ele ver o que acontece, Mônica, estou ocupado – concluiu ao levantar e ir fechando a porta, de forma a expulsar a secretária da sala.

– Doutor! Ele não está! O celular da empresa está em cima da mesa dele e o pessoal cai em uma mulher que diz que não o conhece!

– Ah!! Deve estar ligando errado, Mônica! Pois bem, agora que me levantei, vou até lá! – Disse já sendo quase rude com a mulher.

Ao chegar na porta, um policial disse aos demais: “Não é ele!”. Depois, se dirigindo à Valter perguntou calmamente, mas em tom intimidante:

– E o senhor, quem é?

– Sou o dono da empresa.

– Roberto José foi visto entrar aqui todos os dias no último mês.

– Ah! Largue disso, ninguém com tal nome trabalha aqui! – disse Valter num tom que não deve ser usado com policiais armados.

– Senhor, se estiver escondendo este homem, vira cúmplice e vai com ele para cadeia! – ameaçou. – Conhece esse homem? – Prosseguiu mostrando a foto de alguém que parecia muito JC.

– Mônica! – exclamou já com o rosto vermelho – Veja! Veja! É JC!

– Bem senhor, seja lá como o chama, onde está ele?

– Não sei! Não veio hoje e não ligou. Mas, o que ele…

Foi então que Valter caiu com a mão no pescoço.

– O que ele fez! – gritou Mônica.

– Matou o ex-chefe no Rio de Janeiro e está foragido. Aparentemente queria roubar a empresa – respondeu o policial enquanto os demais socorriam Valter.

Dois dias depois, Valter se recuperou do envenenamento.

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