La vie en Rose

Je voir la vie en Rose

Fui para Paris. Mais uma vez, foi uma passada relâmpago, mas mais proveitosa que a outra, em dezembro de 2006.

Em dezembro de 2006 eu estava deslumbrada com a vida. Acabava de concluir meu primeiro e inesquecível ano de faculdade. E, como sempre costumo falar, morava no Mackenzie e só dormia em casa.

Via aquela viagem como uma fascinação, como uma descoberta e um desafio. Desafio de manter minhas calcinhas limpas por três meses fora de casa. Sim, sou mimada.

Não contava com um desafio ainda maior. Passar 28 dias viajando com uma mala ainda menor (ou seja, com menos calcinhas) dentro de um ônibus com 32 nativos em inglês.

Outro desafio que eu parecia ignorar. O termômetro. Passar uma estação fora de casa. O inverno. No hemisfério norte.

Enfim, três anos mais tarde, a história foi outra. Mas nem tanto.

Já cheguei a Paris com o estoque de calcinhas bem reduzidos depois de tantos dias em Praga dividindo quarto, sem poder pendurá-las por todo o quarto.

Além disso, cheguei já suspirando por cinco paixonites, que viraram seis depois de algumas horas.

Apenas quando cheguei ao hotel e resolvi por a prova meus três anos de aulas de francês fui finalmente informada que não teria banheiro no meu quarto. Ou seja, nada de lavar calcinhas. Por mais três dias.

Quando finalmente me conformei que não teria um banheiro pra mim ou um quarto sem cheiro de cigarro, simplesmente larguei tudo e fui andar na cidade da luz.

Escolhi a Champs Elysee como primeira parada. Ah! Como queria poder olhar pra cima e ver o Arco sem encher os olhos de lágrimas. Como queria olhar pra baixo e ver a roda gigante sem me arrepiar.

Déjà vu. Há três anos, as árvores da avenida estavam iluminadas para o Natal. Dessa vez, elas estavam iluminadas de outra forma. Elas apenas reluziam. Reluziam as luzes da cidade.

Sorte. Três dias, três calcinhas. Ufa.

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