Minha redenção.

ra ra ra ra

Fog, silencio, malas, frio, fome, Natal. Foi o que resumiu minha primeira impressão de Praga. Felizmente, a primeira impressão nem sempre é a que fica.

Depois de passar duas semanas na capital tcheca vendo e conhecendo muito mais turistas que tchecos de verdade, a mudança da minha pauta me fez ir a uma escola de capoeira em um bairro afastado do centro de Praga.

Assisti à aula e me surpreendi com o entusiasmo desses tchecos. No final da aula, fiquei novamente surpresa com a simpatia com que fui recebida por esses alunos. Além disso, todos falavam inglês, o que fez com que eu fosse bem-vinda a um happy hour depois da aula para comemorar o aniversário de um deles.

O pub é bem próximo da escola. Todos trabalham, acordam cedo, estudam e ainda assim praticam esse esporte – e levam a sério – no final da tarde.

Fazia -4oC nas ruas da cidade. Dentro do estúdio, o clima é tropical o ano todo.

A história do Mestre Sazuki é bem diferente daquelas que os jornais brasileiros gostam de dar sobre imigrantes ilegais e bla bla bla… Sazuki tem residência na Rep. Tcheca, fala tcheco e vai se casar com uma tcheca – e aluna – em julho, se tudo correr bem.

Outra primeira impressão que tive em Praga é que, embora boa parte dos tchecos seja bonita, poucos são os bem-humorados. Na verdade, eles são bem-humorados, só não são brasileiros e não ficam facilmente fascinados com gringos.

Com o grupo de tchecos, o garçom se mostrou a vontade. Fez piadas, ofereceu cervejas, fez todo mundo rir e dizer que ele é ‘o cara’. A cena, claro que guardada suas proporções, me fez lembrar as tardes nos bares do Mackenzie. Qual mackenzista nunca se achou super amigo do Cafu do Mac-Fil? Ou do Neo, do Camaleon? J

Essa foi a minha redenção. O mundo pode ser muito diferente, mas também é muito parecido.

Dois deles se ofereceram para ir comigo até o metrô. Oferta que eu aceitei imediatamente por não saber o caminho de volta. Perguntei quanto era a cerveja. Um dos rapazes, metade eslováquio metade tcheco disse em inglês: “Leave it.”. Eles também pagam cervejas quando querem deixar você a vontade.

No caminho para o metrô, eles parecem se interessar por política brasileira. Dizem que se interessam em conhecer São Paulo e a capital, Brasília. Logo reporto minha felicidade em conhecer alguém que sabe que a capital do Brasil é Brasília. “E quem não sabe?”, pergunta a garota. “Aprendemos isso na escola”, complementa com ar indignado.

Antes mesmo que tivesse fôlego para responder, o garoto que pagou minha cerveja emenda. “Garanto que foram americanos”. Minha risada entrega. Eles mesmos. “I hate americans”, diz em tom sarcástico. Damos risadas e logo mudamos de assunto. Mas foi o suficiente para descobrir que tinha muito mais em comum com aqueles tchecos do que imaginava.

Ao pegar o trem de volta para o hotel, uma das estações Namesti Miru, que significa Praça da Paz, faz o garoto comentar. “Toda a cidade que já foi comunista tem uma praça chamada Paz. Coisa de soviético. Na Eslováquia também tem”. Ok. Isso eu jamais saberia se ele não tivesse colocado de forma tão clara.

Diky!

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