Le Canard

CDG

Charles de Gaulle (CDG)

Mais uma espera. São tantas as distrações que confesso ser difícil parar para escrever. As despedidas e os reencontros viram figurantes diante de tantas marcas, rostos perdidos, rostos surpresos, rostos cansados, rostos ansiosos e até mesmo os chorosos.

Ao desembarcar no Charles de Gaulle depois de 12h dentro do avião (e meu nariz completamente seco, assim como meus olhos), devo ter feito algumas das expressões que não param de passar por mim.

Às vezes, ver gente é mais sensacional que ver a própria Torre Eiffel. As distancias entre os portões são absurdas. Nem precisa ser um grand voyager pra saber isso. O que me deixou surpresa em caminhar do terminal 2E ao terminal 2D (eu também pensei que fosse perto…) foi passar pela passarela que dá vista para o trem que leva à Paris.

Gente dormindo, gente fumando, gente falando ao celular, gente com pressa, gente sem pressa. E dois trilhos de trem ao redor. E inúmeros vagões de trem se multiplicando aos nossos olhos pela velocidade.

2D. Embarque no portão 56. Check-in no guichê 6. Ufa. Esperar. 3h. Café. Internet. Pão de uva passa. Natal. Chapéus de Papai Noel. Luzes de Natal. Música de Natal.

Brasileiros com cara de europeus. Portugueses com cara de brasileiros. Europa.

The first talk

‘I Luv L.A’ senta na minha frente. Talvez seja a única pessoa neste embarque a usar uma regata típica de um dia de verão em São Paulo. Ao olhar para a pista de pouso e todos aqueles aviões taxiando, ela colocou a mão no rosto e começou a chorar copiosamente. Não poderia ser emoção.

Antes de sentar, ela pergunta a uma família de franceses: “Is there any one here?”. A pergunta foi decisiva para saber em que língua falar com ela. “Excuse me. Can I help you?”. Ao enxugar as lágrimas ela disse que, assim como eu, perdeu a conexão e teria que passar o Natal no aeroporto e não mais em Copenhagen com a família, conforme o planejado. “Air France?”, pergunto. Ela já com uma cara de quem odiava o som destas palavras disse. “Sim e tudo o que me ofereceram foi um sandwich”.

Digo meu nome e falo que sinto muito.

Música para quem fica a vida no aeroporto:

Ça m’enerve (Isso me irrita)

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