A Humilhação de ser Paulistano

Tem dia que é f@#$ ser paulistano.

Você acorda sempre umas duas horas (talvez mais, talvez menos) antes do horário do seu compromisso e sai correndo de casa, já prevendo o trânsito ou o excesso de gente no transporte público da cidade.

Eu já bloguei sobre o assunto de ser paulistano e reforço: São Paulo me irrita. Muito.

Num dia normal, você chega ao seu destino final um pouco amassado e irritado com o aperta-aperta e empurra-empurra diário do Metrô e dos ônibus da cidade. Experimente agora um dia de chuva.

Quando chove, as pessoas esquecem como dirigir: trânsito. Algumas, prevendo alagamentos, preferem o metrô: Metrô lento + excesso de gente na plataforma e nos trens.

Tem uma coisa boa dos dias de chuva em São Paulo: as calçadas ficam livres dos insuportáveis camelôs que, não felizes em entupir as calçadas e atrapalhar os pobres pedestres, ainda deixam a rua em – como diria minha mãe – petição de miséria. Só a sujeira.

De resto, meu amigo paulistano, você deve saber o que acontece.

Tente entrar no trem em uma estação que não tenha aquelas ‘baias’ pra boiada. Sempre tem alguém que se acha esperto – ou então que acha que nós somos burros – e fura a fila pelas laterais. Tente dizer alguma coisa. A pessoa ainda se sente ofendida.

Também tem aqueles figurões, de quase dois metros de comprimento e quase isso de largura que, além de empurrar todo mundo delicadamente pra dentro do vagão, ainda sentam e se fazem de tontos quando entra alguém que PRECISA sentar.

E é lógico que não poderia faltar os folgados. Estes estão em franca ascensão no mundo. Hoje mesmo, uma maluca começou a gritar comigo em plena Sé falando que eu tinha empurrado ela. Oi? Todo mundo ta te empurrando, minha senhora. Um tiozinho viu a cena e se compadeceu pela minha causa. “Ela nem viu quem empurrou. Louca.”, disse ele com cara de piedade pra mim.

Daí você finalmente desce na sua estação. Depois de passar por aqueles oportunistas vendedores de capa de chuva e guarda-chuva – “5 real… Vai se molhar, moça?” –, você consegue chegar na rua.

Agora quem corre risco são seus belos olhos. Sim! Os folgados também estão na rua. Lá vão eles abrindo e fechando guarda-chuvas, passando por você e quase espetando seu olho com aqueles ferrinhos que ficam pra fora da lona.

Daí você chega no trabalho/faculdade ou seja lá onde você está indo. Ao entrar, quase aliviado e só um pouquinho atrasado, no elevador, lá está seu cabelo.

Você, além de tudo, dá um sorrisinho maroto pra sua imagem refletida e pensa “me arrumo no banheiro”.

Pior. O fim do expediente não vai ser muito diferente. Mas você é paulistano, e não desiste nunca.

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