Mister Darcy

Eu me considero normal para uma garota da minha idade.

Assim como boa parte das pessoas que vivem em cidades como São Paulo – cheia de gente, trânsito, ruas cheias, passos rápidos – meu melhor amigo muitas vezes é o computador ou meu celular. O celular não necessariamente para falar com os outros, mas para ouvir notícias pelo Rádio FM incluído. (Me recuso a colocar ‘risos’ porque é a mais pura verdade)

Percebo que passo muito tempo do meu dia sozinha apenas quando estou na companhia de alguém que eu realmente gosto. Quando as pessoas ao meu redor são chatas ou falam sobre assuntos que não me interessam, sinto falta do teclado no qual estou escrevendo agora.

Tenho um grande problema com relacionamentos, seja ele qual for. Não consigo apenas tolerar uma pessoa. Para conviver bem preciso gostar. Se não gosto, sou involuntariamente indiferente.

Não me considero uma feminista radical, aquelas mulheres que acham um absurdo o homem abrir a porta do carro ou pagar a conta. Mas pra mim isso tem outro nome que não é ‘cavalheirismo’. Só aceito que um cara pague a conta pra mim se, pelo menos, gostar dele como amigo. Não gosto de ficar devendo para ninguém.

Hoje em dia, as mulheres trabalham tanto quanto os homens, ganham tão bem (ou tão mal) quanto os homens e ainda agüentam cólicas e TPM enquanto escuta besteira de algum/a chefe ou de outros subordinados.

Por que devo aceitar que um cara que eu não tenho nenhum tipo de vínculo, ou pior, nenhum tipo de sentimento e que vive tão bem (ou tão mal) quanto eu pague minha conta? Educação é uma coisa bem diferente de cavalheirismo.

Independente de quem eu dou carona para casa, eu espero entrar.

Independente de ser homem ou mulher, eu levanto para uma senhora ou grávida sentar no transporte público.

Sim, eu suspiro ao ler Orgulho e Preconceito e imaginar que um dia existiram homens tão cordiais quanto o Sr. Darcy. Isso foi no século 18, meninas.

Nós, assim como os homens de hoje, não somos princesas ou donzelas. Nós também ficamos com alguns caras e esperamos que eles nunca mais nos liguem. Nós também temos separamos os caras entre os ‘pra casar’ e os ‘pra pegar’. Atire a primeira pedra quem nunca fez esse tipo de comentário com a amiga.

O que esperamos das pessoas, e não só dos homens que ficamos ou namoramos, é um pouco de educação.

Quer conquistar uma garota? Sim, mande flores vermelhas – sem o ursinho.

Paixões são como fotos de Polaroid instantâneas.

Com o tempo, elas vão se apagando. Ficam meio em sépia. Como uma foto antiga esquecida no armário.

A cor some, as silhuetas ficam. O sentimento que surge parece a chama de um fósforo. Queima, apaga e a fumaça logo some. Só o cheiro fica por algum tempo a mais.

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