Geração fosforescente

R$ 10 no porquinho?

R$ 10 no porquinho?

 

O Real completou 15 anos.

Calma, longe de mim palpitar sobre economia em qualquer lugar que não seja a mesa de um bar. É que essa data me trouxe memórias e uma pontinha de nostalgia.

Acho que é a primeira vez que alguma coisa significante, que fez parte da história do meu país, faz aniversario e me lembro de como foi o começo.

Lembro de ser um pouco só mais alta que o sofá da casa da minha avó. Tinha acabado de entrar na escola, na pré-escola.

Sabia que um punhado de cruzeiros comprava um pacote gigante de salgadinho Rei – ECA! – na cantina da escola.

Minha mochila era quase maior que eu, laranja fosforescente, era a época do fosforescente.

O sol que entra pela janela da minha avó era ainda mais inacreditável que é hoje porque não tinha tantos prédios na frente.

A cortina, aquela clássica, fazia a sala ficar cheia de bolinhas de sombra. Foi numa destas tardes que meu pai chamou minha irmã e eu e disse qualquer coisa mais ou menos assim: “Guarde essa nota. Vai ser pra sempre o primeiro Real de vocês. Saibam o que fazer com os demais.”. Tenho certeza que o tom não foi filosófico. Eu tinha apenas 6 anos de idade.

O que custava ‘um punhado de cruzeiros’ passou a custar – hoje quase extinta – uma notinha verde. Sabia também que um frango custava isso.

Assistia Jornal Nacional com meu pai e fingia que  entendia tudo. Talvez por isso passei a entender um pouco.

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Quem seriam os quinze casais que dançariam no baile de debutante do Real?
 
 
Ainda  hoje, andando pela Alameda Santos, me deparei com uma Lan House, talvez a última Monkey que restou em São Paulo.

Na dúvida, olhei no Google e é isso mesmo.

Aí me senti ainda mais ‘velha’. Lembro muito bem que no primeiro colegial o ‘point’ da garotada depois da aula era em alguma das Lan Houses que tinham na Avenida Paes de Barros, na Mooca.

Tinha uma Monkey e uma outra, acho que devia ser mais barata.
Hoje são raras as Lan’s gigantes. Claro, internet não é mais algo tão restrito.

Ainda tem algumas, pequenas, perto de rodoviárias ou grandes estações de metrô. São Poucas.

Você tem saudade de quê?

 

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