#100

Eu sabia que não era você. Insisti por uma teimosia em provar algo para alguém (nem sei quem). Passei dias mirando uma tela, consumindo todo o tipo de ‘cultura inútil’ que você tanto diz detestar. Consumi também cartelas e cartelas de aspirina para poder voltar a abrir meus olhos depois de tanto tempo no escuro. Vi a poeira acumulando no canto da sala e meu cabelo ficando sujo quando se encostava a minha testa oleosa. Me arrastava para fora da cama apenas por motivos urgentes.

Foi quando saí de casa, com os olhos fundos e o cabelo sujo, para comprar mais um maço de cigarros que percebi que não era você. Me senti tão idiota. Eu caí na minha própria armadilha. Eu queria que você acreditasse que era eu.

Mas foi aquele vento frio que me impedia de acender o cigarro que me fez por fim voltar a mim. Senti vergonha. Vergonha da sujeira em que me encontrava. Fisicamente e moralmente. Resolvi que ia voltar a provar o que eu realmente gostava. Bolo de chocolate e coca-cola. Gosto infância. Detesto coca-cola. Foi quando que eu comecei a detestar? Detesto cigarro também. Foi quando que comecei a gostar? Sempre te achei feio. Foi quando que decidi deixar de achar?

O meu dia favorito é assim. Frio, mas com sol.

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About Mayra Lopes

Montando um quebra-cabeça cheio de peças perdidas.
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